A pandemia de Covid-19 gerou e seguirá gerando incertezas até que grande parte da população global seja vacinada. A expectativa é que este processo de vacinação perdure até o fim de 2021 ou se prolongue até o 1º trimestre de 2022.
Apesar disso, a OMC (Organização Mundial do Comércio) aponta uma
retomada da economia do mundo, com o respectivo aumento no fluxo do comércio
internacional. O Barômetro de Comércio
de Mercadorias da OMC, um dos principais termômetros desta avaliação, apontou
103,8 pontos em recente cálculo, indicando uma tendência de crescimento.
Importante notar que, quando esta medição ultrapassa os 100 pontos, ela aponta
o crescimento do comércio acima da tendência de médio prazo.
No último trimestre de 2020, já experimentamos a recuperação nos preços
das commodities, capitaneadas pelo
aumento da demanda da China e países asiáticos. Somam-se a isso pacotes de
estímulos lançados na Europa e nos Estados Unidos. É relevante observar que
parte dessa recuperação é natural, visto que tivemos uma queda econômica muito
forte, mas outra parte deve-se à recuperação das economias da China e da Ásia
como um todo, aos estímulos monetários e fiscais, a uma Europa mais unida e a
um governo razoavelmente competente e estável nos Estados Unidos..
Entretanto, é importante ressaltar que existem muitos elementos de
incerteza acerca da sustentabilidade deste processo de crescimento. Dentre
eles:
a) A eficácia das vacinas frente às novas
variantes do vírus.
b) O desequilíbrio fiscal de diversos
países.
c) A alta da inflação.
d) Os altos índices de desemprego.
Recentemente, discutiu-se muito acerca de uma tendência de
"desglobalização" e o aumento da escolha de políticas protecionistas
por alguns governos. Sem dúvidas, esse é um sinal que merece atenção, visto que
governos de potências mundiais já apontam nesse sentido. Entretanto, o recente
resultado das eleições norte-americanas sinaliza um arrefecimento dessa
tendência.
Por cerca de duas décadas, o comércio mundial cresceu a uma taxa duas
vezes superior à economia do mundo; fato que se deu até a Crise de 2008. Após a
recessão, entre 2010 e 2020, o comércio internacional continuou a crescer 1% acima
da economia mundial. Isso mostra que, apesar das recentes discussões acerca do
aumento de políticas protecionistas em potências como EUA e Reino Unido, foi
constatada a importância e a força do comércio mundial.
A América Latina, entretanto, segue sendo uma dúvida e um ponto de
inflexão nesta retomada, o que inclui, naturalmente, o Brasil. De fato, somos
uma economia demasiadamente fechada, mas muitas das reformas propostas pelo
Poder Executivo brasileiro e que se encontram em avaliação no Legislativo
apontam uma necessária modernização e maior abertura de nossa economia, visando
aumentar nossas vantagens competitivas e participação mais ativa no Comércio
Internacional.
Em conclusão, apesar das diversas dúvidas que ainda pairam sobre a
consistência desta retomada da economia e do Comércio Internacional, os sinais
ainda se mostram positivos.

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